A Tese - post 1


Já é noite, quando Lutti sobe sozinho as montanhas para Visconde de Mauá, veio em busca de um lugar tranqüilo para poder terminar sua tese de doutorado. Com um mapa na mão, ele segue o último trecho de sua viagem numa serra de estrada de chão.


A lua cheia facilita seu traçado e o ajuda a desviar dos buracos com mais facilidade, o cheiro da mata atlântica ladeando a estrada invade seu carro prenunciando sua chegada em Visconde de Mauá.


Assim que faz a última curva no alto da serra, vê uma placa sinalizando um mirante, encosta o carro, desliga o motor, o farol e desce em sentido ao mirante para conferir, a medida que seus olhos vão se acostumados com a escuridão, uma vista panorâmica do vale vai se descortinando, começa a definir o contorno das montanhas contrastando com o céu e com muito esforço vê o rio refletindo o luar enquanto serpenteia o vale.


Fica parado por alguns instantes. Mais sintonizado com o ambiente, escuta a mata se revolvendo ao vento e o murmúrio contínuo das águas descendo montanha abaixo para encher o rio do vale . 


– É, acho que cheguei em Visconde de Mauá.


Tenta registrar o momento, pega sua máquina e tira uma foto em vão da escuridão do vale. Entra no carro e segue em direção a primeira vila.

“A genética é aleatória , não tem como controlar ou escolher nossos fenótipos , por outro lado a relação com o ambiente é passível de controle e escolhas , é onde teremos nossa chance de mudar para pior ou melhor , não desperdice o precioso patrimônio de viver “